Série | Showtime e sua abordagem nada convencional

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A TV a cabo e os serviços de streaming online vem desenvolvendo um papel importante para as séries, com menos restrições por parte da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, hoje é quase corriqueiro cenas de sexo, violência, temas sem censuras como antes não era abordado, maneiras mais provocativas para poder atrair a atenção dos espectadores. Grandes nomes de emissoras que veem uma grande oportunidade de trabalhar esses temas são a HBO e Showtime e é sobre a segunda que o post irá centrar hoje.

Antes de se falar sobre as abordagens da Showtime, vem entender um pouco a origem desse canal, que foi ao ar pela primeira vez no ano de 1976 por um sistema local, se expandindo em 1978 para competir com a HBO. Nos anos 80 começou a se aventurar em séries, mas só nos anos 2000 sua abordagem tomou uma alavancada com temas que até então eram difíceis de ser falado em plena televisão.

São 4 temas a serem falados: Morte, Sexo, Problemas Psicológicos e Drogas.

Morte: Ao meu ver um tema mais complicado do que sexo é a morte, uma forma de tabu que ainda permeia os dias de hoje e que enquanto muita gente vai atrás de temas relacionados ao sexo o contrário acontece com a morte, fugindo do inevitável. O inusitado é como a Showtime quis levantar esse assunto, de forma descontraída e despretensiosa.

Dead Like Me (2003 – 2004/2 temporadas); A série se trata sobre Georgia que morre em seu primeiro dia no trabalho, após ser atingida por um assento sanitário e acaba virando uma ceifadora, sendo morta com assuntos não resolvidos, tendo como serviço tirar a alma das pessoas que morrem de acidentes, homicídios e suicídios. O interessante dessa série é como ela mostra as mortes, já podendo ver pela principal que foi atingida por uma privada, ainda encontrará casos de gente que morre ao escorregar e bater a cabeça ou até mesmo caindo um piano na sua cabeça. A morte mora ao lado e ocorre todo tempo é a premissa da série. Embora o tema é diferente, infelizmente caiu na mesmice em sua segunda temporada, mas ainda sim vale a pena assistir por ter conseguido falar da morte com um tom de comédia.

The Big C (2010 – 2013/4 temporadas); A trama gira em torno de Cathy, uma esposa e mãe que vive no subúrbio, até aí poderia falar que é Desperate Housewives, só tem um quê, Cathy é diagnosticada com câncer (Melanoma) e então decide reformular sua vida, enquanto sofre os altos e baixos do tratamento enfrentando a tudo com esperança e bom humor. Em muitos momentos a série brinca com o C, podendo ser Cathy ou Câncer e se morte já é um assunto complicado, câncer vem bem atrás, você começa a série já sabendo qual será seu final, como falado anteriormente no começo do post, a morte é inevitável, mas vemos aqui uma série não sobre a morte, mas sim a vida e como ela enfrenta. Claro que existirá momentos tristes, mas em geral a série tem aquele ar de humor negro, onde você irá se aventurar e torcer por Cathy e toda a vida que ela levará.

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Sexo: Todo mundo sabe que sexo vende, vide música pop que aproveita do tema, e enquanto o cinema se vê mais resguardado tentando alcançar o público “família” é na TV que você irá conseguir sem meias palavras ver o assunto sendo falado e mostrado.

Californication (2007 – 2014/7 temporadas); A história é centrada em Hank Moody, um escritor extraordinário que além de ser pai tem muitos vícios, particularmente no que diz respeito ao sexo, nova-iorquino que foi viver em LA, o mesmo precedente de outro escritor “real”, conhecido pela sua vida desregrada, Charles Bukowski, inclusive a comparação entre os dois é feita em diversos episódios. A série te proporciona uma visão única, audaz e muito divertida, sobre a indisciplinada vida de Hank, tendo ainda por cima que assumir suas obrigações de pai de guarda compartilhada, quando na realidade parece estar concentrado mais em satisfazer seus vícios. O “quê” de Califonication é por mostrar não apenas sobre sexo, mas a forma que levar uma vida assim pode ser, com 7 temporadas você irá torcer para ele tomar um jeito na vida e vai acabar apenas encontrando um cara que é daquela forma e no final vai adorar ter assistido e acompanhado as loucuras em que ele entra do começo ao fim.

Secret Diary of a Call Girl (2007 – 2011/4 temporadas); A história baseada em fatos reais vem do livro Belle de Jour: Diary of a London Call Girl e também no blog da autora. Na trama Hannah Baxter, dividi sua vida entre mentir para as pessoas que ela é uma secretária executiva que faz turno noturno, enquanto ela na verdade é uma garota de programa de luxo sob o pseudônimo Belle. 

Eu poderia falar das várias facetas que essa série apresenta sobre esse mundo, mas talvez o que mais chama atenção por sua abordagem, é a forma natural, como ela explora os mais diferentes tipos de fetiches existentes no mundo. Sexo ainda é o maior tabu em qualquer sociedade, mesmo sendo o que move a mesma. As pessoas tem medo ou vergonha e até mesmo as duas coisas ao falarem sobre esse assunto. A Belle deixa claro o que gosta, o que não gosta, como seus clientes estão se sentindo, porque eles têm aquele determinado fetiche. Uma mistura de psicologia com sexualidade, sem termos técnicos ou linguagem baixa.

Master of Sex (2013 – atualmente/3 temporadas); Também baseada em fatos reais, e explorada a partir do livro Masters of Sex: The Life and Times of William Masters and Virginia Johnson, the Couple Who Taught America How to Love, de Thomas Maier (ufa, que nome enorme para um livro). A série conta a história do casal que fez o primeiro estudo aprofundado sobre comportamento sexual. Tentando entender a fundo a sexualidade do ser humano e a descoberta da fertilização in vitro, a série mostra os lados sujos da ciência atrás do progresso, envolvendo o tema tão presente na vida de todos e ainda tão controverso e polêmico.

Problemas Psicológicos: Por muitos anos os problemas psicológicos eram difíceis de ser compreendidos, foi através de muita pesquisa e estudo que os médicos conseguiram explicar um pouco o que acontece com a mente, muitas doenças psicológicas conhecidas atualmente são atribuídas ao estilo de vida, cultura e sociedade em que a pessoa vive. E através da Showtime algumas séries são abordadas com o tema, em especial duas, Dexter e sua psicopatia e United States of Tara com sua múltipla personalidade.

Dexter (2006 – 2013/ 8 temporadas); Um dos psicopatas mais queridos da TV, Dexter Morgan é um analista forense do Departamento de Polícia de Miami e tem uma vida dupla. Quando ele não está ajudando a divisão de homicídios a resolver assassinatos, ele passa seu tempo caçando e matando bandidos que deslizam através do sistema de justiça. O que poderia ser apenas uma série sobre psicopatia e suas mortes se torna um entendimento do que se passa na mente de quem sofre esse problema psicológico. A série foi se perdendo durante os anos e a mente de Dexter também passa por várias mudanças, compensa em assistir as 4 primeiras temporadas e se deliciar em sua mente, as outras 4 temporadas vale assistir para ver aonde a série irá se concluir.

United States of Tara (2009 – 2011/3 temporadas); Algumas doenças psicológicas são sempre abordadas mostrando seus diversos lados, mas United States of Tara trás uma pouco o transtorno dissociativo de identidade, originalmente denominado transtorno de múltiplas personalidades, conhecido popularmente como dupla personalidade, que é uma condição mental em que um único indivíduo demonstra características de duas ou mais personalidades ou identidades distintas, cada uma com sua maneira de perceber e interagir com o meio. O pressuposto é que ao menos duas personalidades podem rotineiramente tomar o controle do comportamento do indivíduo. O critério de diagnóstico também leva em consideração perdas de memória associadas, geralmente descritas como tempo perdido ou uma amnésia dissociativa aguda. Nessa série a personagem principal que sofre da doença tem 6 personalidades completamente distintas que tomam conta de seu corpo quando ela e a família menos esperam. Além de abordar esse tema, a série trás todo essa drama com um tom cômico e demonstra o dia a dia familiar de quem tenta levar um vida normal, apesar de tudo.

Drogas: Dos 4 temas é o mais “trabalhado”, não só em séries, como em filmes, mas a Showtime traz de forma revigorante, abusando do humor negro como em muitos de suas séries.

Weeds (2005 – 2012/8 temporadas); E se existisse uma série sobre o tráfico de drogas, mas de uma forma sem ser ação e sim comédia? É aí que entra Weeds, contando a história de Nancy Botwin, uma mãe suburbana que começa a vender maconha para continuar sustentando seu estilo de vida privilegiado após a morte do seu marido. Você ainda irá encontrar muitos problemas, sangue e até ação, mas a atenção na série é vista pela forma como é transmitido o tráfico na mão de uma mãe suburbana que aos poucos começa a aprender como sobreviver ao meio, enquanto tenta criar seus dois filhos e a gerenciar sua família.

Curiosidade: Em Orphan Black, uma das clones, Alison Hendrix, também uma mãe suburbana começa a vender drogas, bem a ideia de Weeds não? 😀

Nurse Jackie (2009 – 2015/7 temporadas); Uma mistura de drama e comédia. Se é fã de House com certeza irá adorar Nurse Jackie, suas semelhanças começam onde ambas têm como protagonista um profissional de saúde, viciados em remédio. Uma das enfermeiras mais atenciosas com os pacientes, lidando com a incompetência dos médicos à sua volta, mas seu problema mesmo é em sua vida amorosa onde gera situações inusitadas. Se Weeds é sobre o tráfico, aqui você encontra o vício, 7 temporadas de humor contagiante.

HBO e Showtime conseguem aproveitar muito bem tais temas, mas ao meu ver Showtime consegue de forma mais elaborada e nada convencional tratar sobre situações difíceis de forma mais real e com humor na maioria de suas séries.

E aí gostou? Conta para gente qual dessas séries você já assistiu.

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About Ems Monteiro

Na casa dos 20 anos, sou amante dessa cidade cinza que não dorme e nos surpreende em cada esquina, estação, museu... Fazendo faculdade de Arquitetura e Urbanismo e tentando sempre colocar minhas séries em dia, uma tarefa quase impossível.

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