Crossfire 5 | Capítulo Um de Todo Seu – COMPLETO

Todo seu

Sendo lançado simultaneamente nos EUA e no Brasil, Todo Seu, último volume da Série Crossfire chega as livrarias dia 5 de abril, confira a sinopse e primeiro capítulo completo.

Pré-Venda do 5º livro de Crossfire – Todo Seu

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Sinopse: O livro final de Crossfire o quinteto que é sucesso mundial.

Gideon Cross. Me apaixonar por ele foi a coisa mais fácil que eu já fiz. Aconteceu instantaneamente. Completamente. Irrevogavelmente.

Me casar com ele foi um sonho se tornado realidade. Ficar casada com ele é a luta da minha vida. O amor transforma. O nosso é tanto um refugio contra a tempestade quanto a mais violenta das tempestades. Duas almas danificadas entrelaçados em uma só.

Temos descoberto os mais profundos, e mais feios segredos um do outro. E Gideon é o espelho que reflete todos os meus defeitos e… toda a beleza que eu não podia ver. Ele me deu tudo. Agora, eu preciso provar que eu posso ser sua rocha de segurança, o abrigo que ele é para mim. Juntos, poderemos lutar contra aqueles que trabalham de forma brutal para ficar entre nós.

Mas a nossa maior batalha pode estar dentro dos próprios votos que nos dão força. Comprometer-se com o nosso amor era o começo. Lutar por isso, é o que irá nos libertar ou separar.

Dolorosamente e sedutoramente pungente, Todo Seu é o eletrizante e aguardado final da Série Crossfire, uma história de amor ardente, que cativou milhões de leitores em todo o mundo.

Sinopse traduzida por Inspiration Box/ Série Crossfire Brasil

Capítulo 1 – Todo Seu – COMPLETO

EVA

Nova York era a cidade que nunca dormia; nem sentia sono. Meu apartamento no Upper West Side tinha o proteção antirruído, como era de se esperar em uma propriedade de milhões de dólares, mas ainda assim, os sons da cidade entravam – o correr rítmico dos pneus nas rua desgastadas, os protestos dos freios e o buzinar sem fim dos táxis.

Quando saí do café da esquina da Broadway sempre cheia, a movimentação da cidade tomou conta de mim. Como eu tinha conseguido viver até aquele momento sem a cacofonia de Manhattan?

Como eu tinha conseguido viver sem ele?

Gideon Cross.

Segurei seu rosto com as mãos, senti quando ele se acomodou em meu toque. Essa demonstração de vulnerabilidade e de afeto me tocou. Horas antes, eu tinha pensado que ele nunca mudaria, que eu teria que me dedicar demais para dividir a vida com ele. Mas naquele momento, eu estava diante da coragem dele e duvidando da minha.

Será que eu tinha exigido mais dele do que de mim mesma? Eu me senti envergonhada diante da possibilidade de tê-lo motivado a progredir enquanto eu havia permanecido a mesma, obstinada.

Ele estava de frente para mim, alto e forte. De calça jeans e camiseta, com um boné cobrindo os olhos, não era possível reconhecê-lo como o magnata que o mundo acreditava conhecer, mas ainda assim, afetava a todos por quem passava. Pelo canto do olho, percebi diversas pessoas ao nosso redor olhando mais de uma vez para ele.

A força do corpo musculoso e esguio de Gideon era inconfundível, não importava se estivesse vestido de modo casual ou com um terno e colete feitos sob medida, combinação que lhe caía muito bem. O modo com que caminhava, a autoridade que exercia com controle impecável, fazia com que fosse impossível que ele ficasse em segundo plano.

Nova York engolia tudo que entrava nela, mas Gideon tinha o controle da cidade.

E ele era meu. Mesmo com minha aliança no dedo dele, eu ainda sentia dificuldade para acreditar nisso, às vezes.

Ele nunca seria um homem qualquer. Ferocidade com elegância, perfeição com toques falhos. Ele é o nexo do meu mundo, o nexo do mundo.

Mas, apesar disso, ele havia acabado de provar que se submeteria e iria ao limite para estar comigo. O que me dava uma determinação renovada de provar que eu valia a dor que o forcei a enfrentar.

Ao nosso redor, o comércio pela Broadway estava sendo reaberto. O fluxo do tráfego na rua começou a aumentar, carros pretos e táxis amarelos corriam a toda pela superfície desnivelada. Moradores tomavam as calçadas, levando os cachorros para passear e seguindo em direção ao Central Park para uma corrida matutina, aproveitando o máximo que podiam do tempo antes de começarem o dia de trabalho com afinco.

O Mercedes parou no meio-fio assim que nos aproximamos, com Raúl, um homem grande, ao volante. Agnus parou o Bentley logo atrás. Meu carro e o de Gideon, seguindo para casas separadas. Como isso podia ser um casamento?

Mas na verdade, era o nosso casamento, apesar de nenhum de nós desejá-lo dessa maneira. Tive que estabelecer um limite quando Gideon contratou meu chefe na agência de publicidade para a qual eu trabalhava.

Compreendo o desejo de meu marido de me ver na Cross Industries, mas tentar me forçar agindo pelas minhas costas…? Eu não podia deixar, não com um homem como Gideon. Ou estávamos juntos ― tomando decisões juntos ― ou estávamos muito afastados para fazer o relacionamento dar certo.

Jogando a cabeça para trás, olhei para o rosto lindo dele. Vi remorso ali, além de alívio. E amor. Muito amor.

Sua beleza era estonteante. Tinha os olhos azuis como o mar do Caribe, os cabelos eram fartos, pretos e brilhosos, uma juba que chegava ao pescoço. Seu rosto tinha sido esculpido, com traços e ângulos feitos perfeitamente a ponto de surpreender e dificultar o raciocínio. Eu me senti enfeitiçada por sua aparência assim que o vi, e ainda percebo minhas sinapses fritando, às vezes. Gideon me surpreendeu.

Mas era o homem por dentro, com sua energia e seu poder fortes, a inteligência e a coragem, aliados a um coração que sabia ser muito sensível…

“Obrigada.” Meus dedos percorreram os pelos escuros de suas sobrancelhas, formigando como sempre acontecia quando entravam em contato com sua pele. “Por me chamar. Por me contar sobre seu sonho. Por me encontrar aqui.”

“Encontraria você em qualquer lugar.” As palavras eram uma promessa, ditas de modo fervoroso e intenso.

Todo mundo tinha demônios. Os de Gideon ficavam enjaulados por sua força de vontade impetuosa quando ele estava acordado, mas quando dormia, era atormentado por eles em pesadelos violentos e terríveis. Tínhamos muito em comum, mas a agressão em nossa infância era um trauma compartilhado que nos unia e nos separava. Fazia com que eu lutasse mais. Nossos agressores já tinham tirado muito de nós.

“Eva… Você é a única força capaz me manter afastado.”

“Obrigada por isso também”, murmurei, com o peito comprimido. “Sei que não foi fácil para você me dar espaço, mas eu precisava. E sei que forcei você…”

“Forçou muito.”

Esbocei um sorriso diante de sua frieza ao dizer aquilo. Gideon não era um homem acostumado a não receber o que queria. “Eu sei. E você permitiu, porque me ama.”

“É mais do que amor.” Ele segurou meus punhos, apertando de um modo que fazia com que tudo dentro de mim se entregasse.

Assenti, não mais temendo admitir que precisávamos um do outro de um modo que algumas pessoas considerariam doentio. Éramos assim, tínhamos isso. E era precioso.

“Vamos ao dr. Petersen juntos.” Ele disse as palavras com a ordem inconfundível, mas ele olhou para mim como se tivesse feito uma pergunta.

“Você é muito mandão”, provoquei, querendo que ficasse um clima bom entre nós. De esperança. Nossa sessão de terapia semanal com o dr. Petersen aconteceria em poucas horas, e não poderia ser mais adequada. Nós tínhamos dobrado uma esquina. Precisávamos de ajuda para entender quais seriam nossos próximos passos dali em diante.

Ele envolveu minha cintura com as mãos. “Você adora.”

Segurei a barra de sua camisa, segurando o tecido macio.

“Eu adoro você.”

“Eva.” Seus braços me envolveram com força e intensidade, e senti sua respiração tensa em meu pescoço. Manhattan nos cercava, mas não nos podia penetrar. Quando estávamos juntos, o resto deixava de existir.

Emiti um gemido de desejo, e todo o meu desejo por ele vinha à tona por tê-lo de novo grudado em mim. Respirei fundo e senti seu cheiro, e meus dedos massagearam os músculos rígidos de suas costas. A adrenalina que me tomava era forte, eu era viciada nele ― coração, alma e corpo ― e já tinha passado dias sem minha dose, e estava trêmula e desconcertada, incapaz de pensar direito.

Ele me envolveu, seu corpo era muito maior e mais rígido do que o meu. Eu me senti segura no abraço dele, valorizada e protegida. Nada podia me tocar nem ferir quando ele me abraçava. Queria que ele sentisse a mesma segurança comigo, precisava que ele soubesse que podia baixar a guarda, respirar fundo e que eu protegeria nós dois.

Eu tinha que ser mais forte. Mais esperta. Mais intimidadora. Tínhamos inimigos, e Gideon lidava com eles sozinho. Era natural para ele ser protetor; era uma de suas características que eu admirava profundamente. Mas eu tinha que começar a mostrar para as pessoas que podia ser um adversário tão incrível quanto meu marido.

Mais importante, tinha que provar isso a Gideon.

Recostada nele, absorvi seu calor. Seu amor.

“Nós nos vemos às cinco, campeão.”

“Nem um minuto a mais”, ele respondeu com intensidade.

Não consegui conter o riso, encantada com cada faceta sincera dele. “E se eu me atrasar?”

Afastando-se, ele lançou a mim um olhar de arrepiar. “Vou te buscar.”

 Eu deveria ter entrado na cobertura de meu padrasto na ponta dos pés e prendendo a respiração, já que àquela hora – um pouco depois das seis da manhã –, eu poderia ser flagrada voltando. Mas entrei determinada, com os pensamentos tomados pelas mudanças que precisava fazer.

Eu tinha tempo para tomar um banho – rápido –, mas decidi não fazer isso. Fazia muito tempo que Gideon não me tocava, muito tempo desde a última vez em que havia me segurado, me penetrado. Eu não queria lavar de meu corpo a lembrança de seu toque. Só isso me daria a força para fazer o que tinha que ser feito.

Alguém acendeu a luminária de uma mesa de canto.

“Eva.”

Eu me sobressaltei. “Jesus.”

Ao me virar, encontrei minha mãe sentada em uma das poltronas da sala de estar.

“Você quase me matou de susto!”, falei, levando a mão ao peito, com o coração aos pulos.

Ela se levantou, com o roupão de cetim comprido cor de marfim resvalando ao redor das pernas torneadas e levemente bronzeadas. Eu era sua única filha, mas parecíamos irmãs. Monica Trammell Barker Mitchell Stanton tinha obsessão com a aparência. Com sua carreira de esposa estonteante, sua beleza e vivacidade eram seus bens mais preciosos.

“Antes que você comece”, eu disse, “sim, temos que conversar sobre o casamento. Mas preciso me preparar e arrumar minhas coisas para poder ir para casa hoje à noite…”

“Você está tendo um caso?”

Sua pergunta curta e direta me chocou mais do que sua presença ali. “O quê? Não!”

Ela soltou o ar, e a tensão saiu de seus ombros visivelmente.

“Minha nossa. Pode me dizer o que está acontecendo? Foi tão feia sua discussão com Gideon?”

Feia. Por um tempo, temi que ele colocaria um ponto final entre nós com as decisões que tomou.

“Estamos resolvendo as coisas, mãe. Foi só um obstáculo de percurso.”

“Um obstáculo que fez com que você o evitasse por dias? Não é assim que você deve lidar com seus problemas, Eva.”

“É uma longa história…”

Ela cruzou os braços.

“Não estou com pressa.”

“Mas eu estou. Preciso me aprontar para o trabalho.”

Vi a dor em seu rosto e senti remorso no mesmo instante.

Antigamente, eu queria ser como minha mãe quando crescesse. Passava horas vestindo as roupas dela, andando com seus saltos, passando seus cremes caros. Tentava imitar sua voz sussurrada e seus gestos sensuais, certa de que minha mãe era a mulher mais linda e perfeita do mundo. E sua atitude com os homens, o modo com que eles olhavam para ela e a serviam… bem, eu também queria aquele toque mágico dela.

No fim, acabei me tornando igual a ela, com exceção do penteado e da cor dos olhos. Mas isso era só por fora. Éramos duas mulheres extremamente diferentes por dentro e, infelizmente, passei a me orgulhar disso. Parei de pedir seus conselhos, exceto no que dizia respeito a roupas e decoração.

Isso mudaria. Naquele momento.

Eu havia tentado muitas atitudes diferentes em meu relacionamento com Gideon, mas não tinha pedido ajuda da única pessoa próxima a mim que sabia como era ser casada com um homem influente e poderoso.

“Preciso de um conselho, mãe.”

Minhas palavras pairaram no ar, e eu as observei sendo assimiladas. Os olhos de minha mãe se arregalaram, surpresos. Um momento depois, ela se sentou no sofá como se seus joelhos tivessem fraquejado. Seu choque foi um golpe forte, mostrando que eu a havia isolado totalmente.

Foi com dor no peito que me sentei no sofá na frente dela. Eu havia aprendido a ser cuidadosa em relação ao que dividia com minha mãe, fazendo o melhor que podia para esconder informações que pudessem dar início a discussões que me enlouqueciam.

Nem sempre tinha sido assim. Meu meio-irmão Nathan havia tirado de mim meu relacionamento caloroso e fácil com minha mãe, assim como havia tirado minha inocência. Quando minha mãe soube do abuso, ela mudou, tornando-se superprotetora a ponto de me perseguir e me sufocar. Era sempre extremamente confiante em relação a tudo em sua vida, menos em relação a mim. Comigo, ela era ansiosa e intrometida, chegando à beira da histeria, às vezes. Ao longo dos anos, eu aprendi a desviar da verdade com muita frequência, escondendo segredos de todo mundo a quem eu amava só para manter a paz.

“Não sei ser o tipo de esposa de que Gideon precisa”, confessei.

Ela endireitou os ombros, adotando uma postura ousada. “Ele está tendo um caso?”

“Não!” Dei risada sem querer. “Ninguém está tendo caso nenhum. Não faríamos isso um com o outro. Não poderíamos fazer. Pare de se preocupar com isso.”

Eu me perguntei se a recente infidelidade de minha mãe era a verdadeira raiz de sua preocupação. Será que isso pesava em sua consciência? Ela questionava seu relacionamento com Stanton? Eu não sabia como me sentir em relação a isso. Amava muito meu pai, mas também acreditava que meu padrasto era perfeito para o que a minha mãe precisava em um marido.

“Eva…”

“Gideon e eu nos casamos em segredo algumas semanas atrás.”

Meu Deus, como era bom colocar isso para fora.

Ela olhou para mim sem entender. Piscou uma, duas vezes. “O quê?”

“Não contei ao papai ainda”, continuei. “Mas vou ligar para ele hoje.”

Seus olhos ficaram marejados. “Por quê? Meu Deus, Eva… como foi que nos distanciamos tanto?”

“Não chore.” Eu me levantei e caminhei até ela, e me sentei ao seu lado. Segurei suas mãos, mas ela me abraçou com força.

Senti seu cheiro familiar e senti a paz que só encontramos nos braços de uma mãe. Por alguns momentos, pelo menos. “Não foi planejado, mãe. Nós passamos o fim de semana fora, e Gideon perguntou se eu aceitaria, e organizou tudo… Foi espontâneo. No calor do momento.”

Ela se afastou, revelando uma lágrima escorrida no rosto e a intensidade no olhar.

“Ele se casou com você sem um acordo pré-nupcial?”

Eu ri, não consegui me segurar. Claro que minha mãe pensaria nos detalhes financeiros. O dinheiro já era, há muito tempo, o que lhe movia. “Existe um acordo pré-nupcial.”

“Eva Lauren! Você o conferiu? Ou também foi espontâneo?”

“Li cada palavra.”

“Você não é advogada! Meu Deus, Eva… eu criei você para ser mais esperta!”

“Uma criança de seis anos seria capaz de entender os termos”, rebati, irritada com o problema real de meu casamento: Gideon e eu tínhamos pessoas demais se metendo em nossa relação, distraindo-nos a ponto de não termos tempo de cuidar das coisas que precisavam de atenção. “Não se preocupe com o acordo pré-nupcial.”

“Você deveria ter pedido ao Richard para ler o acordo. Não entendo por que não fez isso. É tão irresponsável. Simplesmente não…”

“Eu vi, Monica.”

Nós duas nos viramos ao ouvir a voz de meu padrasto. Stanton entrou na sala pronto para sair, muito elegante com um terno azul-marinho e uma gravata amarela. Imaginei que Gideon seria muito parecido com meu padrasto quando tivesse a idade dele: em forma, distinto, um belo macho alfa.

“Você viu?”, perguntei, surpresa.

“Cross o enviou a mim há algumas semanas.” Stanton se aproximou de minha mãe, segurando as mãos dela. “Os termos não poderiam ser melhores.”

“Sempre podem ser melhores, Richard!’, disse minha mãe, de modo direto.

“Existem recompensas por datas especiais, como aniversários de casamento e o nascimento dos filhos, e nada de penalidades a Eva, exceto terapia de casal. Uma separação resultaria numa distribuição muito razoável dos bens. Senti vontade de perguntar se os advogados de Gideon concordaram com o contrato. Imagino que devem ter sido muito contrários a ele.”

Ela parou por um momento, absorvendo as palavras. Então, levantou-se, irritada.

“Mas você sabia que eles se casariam? Você sabia e não me contou nada?”

“Claro que eu não sabia.” Ele a abraçou, consolando-a como se ela fosse uma criança. “Imaginei que ele estivesse se adiantando. Você sabe que essas coisas costumam demorar meses para serem negociadas. Mas, nesse caso, não havia nada mais que eu pediria.”

Fiquei de pé. Tinha que me apressar se quisesse chegar no trabalho na hora certa. Hoje, mais do que em qualquer outro dia, eu não queria me atrasar.

“Aonde você vai?” Minha mãe se afastou de Stanton. “Não terminamos de conversar. Você não pode jogar uma bomba dessas e ir embora!”

Eu me virei para olhar para ela e andei de costas. “Preciso mesmo me arrumar. Vamos almoçar juntas para podermos conversar mais?”

“Você não pode estar…”

Eu a interrompi.

“Corinne Giroux.”

Os olhos de minha mãe se arregalaram e se estreitaram em seguida. Um nome. Eu não tinha que dizer mais nada.

A ex de Gideon era um problema que não precisava de nenhuma explicação.

Era raro pessoas que vinham para Manhattan que não se sentiram familiarizadas imediatamente. O horizonte da cidade tinha sido imortalizado em filmes e programas de televisão demais para serem contados, espalhando o caso de amor com Nova York a todo o mundo.

Eu não era exceção.

Adorava a elegância da Art Deco do prédio Chrysler. Conseguia determinar minha localização na ilha em relação à posição do Empire State Building. Fiquei maravilhada com a altura de tirar o fôlego da Freedom Tower que agora dominava o centro da cidade. Mas o Crossfire Building tinha uma categoria própria. Era o que eu achava antes de me apaixonar pelo homem cuja visão havia levado a sua criação.

Quando Raúl estacionou no meio-fio, eu estava fascinada com o azul-safira do vidro que envolvia o obelisco do Crossfire. Inclinei a cabeça para trás, subindo os olhos pela altura brilhante até o topo, o espaço iluminado que abrigava as Indústrias Cross. Os pedestres se reuniam ao meu redor, e a calçada estava apinhada de executivos indo para o trabalho com pastas e bolsas em uma mão e copos quentes de café na outra. Senti Gideon antes de vê-lo, meu corpo todo em alerta quando ele saiu do Bentley, que havia estacionado atrás do Mercedes. A atmosfera ao meu redor era eletrizante, a energia forte que sempre anunciava a aproximação de uma tempestade.

Eu estava entre os poucos que sabiam que a alma atormentada de Gideon era o que causava a tensão.

Eu olhei para ele e sorri. Não era coincidência termos chegado ao mesmo tempo. Eu soube disso antes de ver a confirmação em seus olhos.

Ele usava um terno preto com camisa branca e gravata prateada de tecido entrançado. Os cabelos pretos desciam pelo rosto até a gola da camisa numa queda sensual das madeixas escuras. Ele ainda olhava para mim com a mesma intensidade sexual que havia me tomado no começo, mas havia delicadeza no azul brilhante de seus olhos e uma receptividade que era mais importante para mim do que qualquer outra coisa que ele pudesse me dar.

Dei um passo na direção dele quando ele se aproximou.

“Bom dia, Moreno Perigoso.”

Ele esboçou um sorriso. Seus olhos ficaram ainda mais calorosos. “Bom dia, esposa.”

Peguei sua mão e me senti calma quando ele fez o mesmo gesto e segurou a minha com firmeza. “Contei a minha mãe hoje cedo… sobre nosso casamento.”

Ele arqueou uma sobrancelha escura, surpreso, e sorriu com prazer triunfante. “Que bom.”

Rindo de sua possessividade descarada, eu bati de leve em seu ombro. Ele se movimentou muito depressa, me abraçou e beijou o canto de minha boca.

A alegria dele era contagiosa. Eu a senti explodindo dentro de mim, iluminando todos os pontos que estavam muito escuros nos últimos dias. “Vou ligar para meu pai assim que conseguir. Para avisá-lo.”

Ele ficou sério.

“Por que agora e não antes?”

Falava baixo, com a voz contida para manter a privacidade. As pessoas que seguiam em direção ao escritório continuavam passando, prestando pouca atenção em nós. Ainda assim, hesitei em responder, estava me sentindo muito exposta.

E então… a verdade veio mais fácil do que nunca. Eu vinha escondendo muitas coisas das pessoas que eu amava. Coisas bobas, coisas importantes. Tentando manter o status quo esperando e precisando de mudança.

“Estava com medo”, falei para ele.

Ele se aproximou com o olhar intenso.

“E agora não está mais?”

“Não.”

“Vai me contar o porquê hoje à noite.”

Assenti. “Vou contar.”

Ele envolveu minha nuca com a mão, uma pressão possessiva e suave ao mesmo tempo. Seu rosto estava sério, não deixava nada transparecer, mas os olhos… aqueles olhos azuis, bem azuis… estavam ardendo de emoção.

“Vamos passar por isso, anjo.”

O amor me tomou com calor, como o efeito de um belo vinho.

“Com facilidade.”

Foi estranho entrar na Waters, Field & Leaman, fazendo mentalmente a contagem regressiva de quantos dias ainda poderia dizer que trabalho na prestigiada agência de publicidade. Megumi Kaba acenou atrás da mesa da recepção, tocando o fone de ouvido para mostrar que estava em uma ligação e que, por isso, não podia conversar. Eu acenei de volta e segui em direção à minha mesa de modo determinado. Eu tinha muito a fazer, um novo começo para cuidar.

Mas primeiro, o mais importante. Coloquei minha bolsa e a sacola na gaveta de baixo, me sentei na cadeira e entrei no site da floricultura da qual era cliente. Sabia o que queria. Duas dúzias de rosas brancas em um vaso vermelho e fundo de cristal.

Branco pela pureza. Pela amizade. Pelo amor eterno. Também era a bandeira da trégua. Eu havia causado uma batalha ao forçar uma separação entre Gideon e mim, e no fim, venci. Mas não queria guerrear com meu marido.

Nem sequer tentei pensar num bilhete bem bolado para as flores, como já tinha feito antes. Só escrevi a verdade. Ficava mais fácil a cada minuto que passava.

Você é milagroso, sr. Cross.
Você é tudo para mim.
Sra. Cross

O website solicitou que eu finalizasse a compra. Cliquei em enviar e parei um instante para imaginar o que Gideon pensaria de meu presente. Um dia, esperava vê-lo receber flores de mim. Ele sorriu quando seu secretário, Scott, as levou para a sala? Parou a reunião que estava realizando para ler meu bilhete? Ou esperou ter um raro momento de intervalo quando tivesse privacidade?

Esbocei um sorriso ao pensar nas possibilidades. Adorava presentear Gideon. E em breve, eu teria mais tempo para escolher os presentes.

“Você está pedindo demissão?”

O olhar incrédulo de Mark Garrity se ergueu da carta de demissão para mim.

Senti um nó no estômago ao ver a expressão do meu chefe. “Estou. Desculpa por ser assim tão repentino.”

“Amanhã é seu último dia?” Ele se recostou na cadeira. Seus olhos eram alguns tons mais claros que sua pele chocolate e expressavam surpresa e decepção. “Por quê, Eva?”

Soltando um suspiro, eu me inclinei para a frente e apoiei os cotovelos nos joelhos. Mais uma vez, decidi contar a verdade. “Sei que não é muito profissional da minha parte, mas… tive que redefinir minhas prioridades e… não posso dedicar toda a minha atenção ao trabalho no momento, Mark. Desculpa.”

“Eu…” Ele soltou o ar com força e passou as mãos pelos cabelos crespos e pretos. “Que droga… O que posso dizer?”

“Que você me perdoa e não vai ficar bravo comigo?” Soltei uma risadinha sem graça. “Sei que é pedir demais.”

Ele abriu um sorriso torto. “Você sabe que não quero perder você, Eva. Não sei se deixei claro como você é importante para mim. Você me faz trabalhar melhor.”

“Obrigada, Mark. Mesmo.” Era mais difícil do que eu imaginava, apesar de ser a melhor e a única decisão possível naquele momento.

Meus olhos se voltaram para a vista que estava atrás do meu chefe. Como gerente de contas júnior, ele tinha um escritório pequeno, de frente para um prédio do outro lado da rua, mas era um horizonte tão nova-iorquino quanto o das janelas do espaçoso escritório de Gideon Cross no último andar.

Em vários sentidos, aquela divisão de andares espelhava a maneira como eu tentava definir minha relação com Gideon. Eu sabia quem ele era. Sabia o que ele era: um homem que pertencia a uma categoria exclusiva. Adorava isso, e não queria mudar nada; só desejava poder chegar ao nível dele por mérito próprio. O que não imaginei foi que, ao me recusar a aceitar que o casamento tinha mudado tudo, eu o estava rebaixando ao meu nível.

Eu nunca seria reconhecida por chegar até o topo por merecimento. Para algumas pessoas, seria sempre aquela que o fez através do casamento. E precisava aprender a conviver com isso.

“Para onde você vai?”, perguntou Mark.

“Sinceramente… ainda não sei. Só sei que não posso continuar aqui.”

Meu casamento não aguentaria muita pressão mais antes de desmoronar, e eu havia permitido que se aproximasse perigosamente da beira do abismo ao querer distância. Ao me colocar em primeiro lugar.

Gideon Cross era um oceano vasto e profundo, e por um momento eu temi me afogar nele. Mas não podia mais viver com medo. Não depois de perceber que meu maior temor era perdê-lo.

Tentando me manter neutra, acabei ficando indecisa. E, irritada por isso, não percebi que, se quisesse ter algum controle, era preciso assumir as rédeas da situação.

“Por causa da conta da LanCorp?”, questionou Mark.

“Em parte.” Alisei minha saia de risca de giz, afastando meus pensamentos do ressentimento de Gideon pelo fato de ter contratado Mark. A gota d’água havia sido a LanCorp procurar a Waters Field & Leaman com um pedido específico para que Mark e, portanto, eu cuidássemos da conta, uma manobra que Gideon encarou com desconfiança. O esquema de pirâmide de Geoffrey Cross tinha aniquilado a fortuna da família Landon, e tanto Ryan Landon como Gideon precisaram recomeçar a partir do prejuízo dos pais. Landon, porém, ainda tinha sede de vingança. “Mas principalmente por motivos pessoais.”

Depois de endireitar a postura, Mark apoiou os cotovelos na mesa e se inclinou na minha direção. “Sei que não é da minha conta e não quero me intrometer, mas você sabe que Steven, Shawna e eu estamos aqui para o que der e vier. Gostamos de você.”

Sua sinceridade fez meus olhos se encherem de lágrimas. Steven Ellison, o noivo de Mark, e sua irmã Shawna se tornaram amigos queridíssimos em Nova York, uma parte importante da rede de relações que construí depois de me mudar para cidade. Independentemente do que acontecesse, não queria perder contato com eles.

“Eu sei.” Abri um sorriso triste. “Qualquer coisa eu ligo para vocês, prometo. Mas vai ser melhor assim. Para todos nós.”

Mark relaxou e retribuiu o sorriso. “Steven vai pirar. Acho melhor você contar para ele.”

Ao pensar no empreiteiro grandalhão e sociável, a tristeza se foi. Steven ficaria uma fera comigo por deixar seu parceiro na mão, mas no fim entenderia. “Ah, qual é?”, brinquei. “Você não faria isso comigo… Já está sendo difícil o bastante.”

“Eu não me importaria de deixar tudo ainda mais difícil.”

Dei risada. Sentiria falta de Mark e do meu trabalho. Demais.

Quando deu a hora do meu primeiro intervalo, ainda era muito cedo em Oceanside, California, então mandei uma mensagem para o meu pai em vez de fazer uma ligação.

“Me avise quando acordar, ok? Preciso te contar uma coisa.”. E já que eu sabia que ser um policial assim como pai fazia de Victor Reyes uma pessoa preocupada, adicionei: “Não é nada ruim, apenas algumas notícias.”.

Nem bem tinha colocado o celular de volta no balcão para pegar o café quando ele começou a tocar. O belo rosto de meu pai iluminou a tela, sua foto mostrava os olhos cinzas que eu tinha herdado dele.

E então fui atingida por um nervosismo. Quando alcancei o celular, minha mão estava tremendo. Eu amava muito meus pais, mas sempre achei que meu pai sentia as coisas mais profundamente do que a minha mãe. E enquanto minha mãe nunca hesitava em apontar as maneiras que eu poderia arrumar minhas falhas, meu pai parecia não perceber que eu as tinha. Desapontá-lo… machucá-lo… só de pensar nisso já era brutal.

— Oi pai. Como você está?

— Essa é a minha pergunta, querida. Estou como sempre. E com você? O que está acontecendo?

Me aproximei da mesa mais próxima e sentei em uma das cadeiras para me acalmar.

— Eu disse que não era nada ruim e mesmo assim você parece preocupado. Eu acordei você?

— É meu trabalho me preocupar. — Ele disse, com um toque de diversão na voz. — E eu estava me arrumando para corer antes de sair para trabalhar, então não, você não me acordou. Me diga qual é a sua notícia.

— Uh… — Com a garganta apertada por lágrimas, foi difícil engolir. — Jesus, isso é mais difícil do que eu pensei que seria. Eu disse para o Gideon que era com a mãe com quem eu estava preocupada, que com você seria fácil, e aqui estou eu tentando—

— Eva.

Respirei profundamente.

— Gideon e eu fugimos e nos casamos.

A linha ficou estranhamente quieta.

— Pai?

— Quando? — A rispidez em sua voz acabou comigo.

— Algumas semanas atrás.

— Antes de você vir me ver?

Limpei a garganta.

— Sim.

Silêncio.

Ah, Deus. Totalmente brutal. Há apenas algumas semanas eu contei para ele sobre o abuso de Nathan e aquilo quase o quebrou. Agora isso…

— Pai… Você está me deixando assustada. Nós fomos para as ilhas e foi lindo, tão lindo. O hotel que ficamos faz casamentos o tempo todo, eles tornaram tudo tão fácil… Como Las Vegas. Tem um oficial 24 horas e alguém que cuida das licenças. Era o momento perfeito, você sabe. A oportunidade perfeita. — Minha voz quebrou. — Pai… por favor, diga alguma coisa.

— Eu… Eu não sei o que dizer.

Uma lágrima quente desceu pelo meu rosto. Minha mãe tinha escolhido o bem acima do amor, e Gideon era um ótimo exemplo do tipo de homem que minha mãe tinha escolhido ao invés do meu pai. Eu sabia que isso era um grande preconceito pelo qual meu pai teria que passar por cima, e agora nós tínhamos esse obstáculo.

— Nós ainda vamos fazer um casamento. — Eu disse à ele. — Nós queremos nossos amigos e familiares conosco quando dissermos nossos votos…

— Era isso que eu estava esperando, Eva. — Ele resmungou. — Caramba. Parece como se o Cross tivesse roubado algo de mim! Sou eu quem deveria entregar você, eu estava trabalhando nisso, e então ele simplesmente corre e leva você? E você não me controu nada? Você estava aqui, na minha casa, e não disse nada para mim? Isso dói, Eva. Dói.

Não havia maneira de para as lágrimas depois disso. Elas vieram como uma inundação quente, vorrando minha visão e fechando minha garganta.

Pulei quando escutei a porta abrir e Will Granger entrar.

— Ela provavelmente está aqui. — Meu colega disse. — E aqui está ela—

Sua voz sumiu quando viu meu rosto, seus olhos perderam a expressão risinha atrás de seus óculos retangulares. Um braço vestido de um terno escuro apareceu e o empurrou para o lado.

Gideon. Ele preencheu o vão da porta, seus olhos fixados em mim e tão frios quanto geleiras. De repente ele estava em modo anjo vingador, seu belo terno lhe deixando tanto capaz quanto perigoso, seu rosto endureceu em uma bela máscara.

Pisquei, meu cérebro tentando processar como e por que ele estava auqi. Antes disso, ele estava em frente à mim e meu telefone estava em sua mção, seu olhar encarando a tela antes de levar o celular ao ouvido.

— Victor. — O nome do meu pai saiu como um aviso. — Parece que você chateou a Eva, então você vai ter que falar comigo.

Will saiu e fechou a porta.

Apesar das palavras cortantes de Gideon, os que dedos passeavam pela minha bochecha eram infinitamente gentis. Seu olhar estava focado em mim, o azul cheio de fúria gelada quase me fez tremer.

Puta merda, esse era o Gideon com raiva. E meu pai também estava. Eu conseguia escutar ele de onde estava sentada.

Peguei o pulso de Gideon, balançando minha cabeça, banhada pelo pânico de que os dois homens que eu mais amava pudessem terminar não gostando ou quem sabe odiando um ao outro.

— Está tudo bem. — Eu sussurrei. — Eu estou bem.

Seu olhar me varreu e ele gesticulou, Não, não está tudo bem.

Quando ele falou novamente com meu pai, a voz de Gideon estava firme e controlada—e mais assustadora por causa disso.

— Você tem o direito de estar zangado, e machucado, eu lhe concederei isso. Mas não vou deixar que minha esposa esteja no meio disso… Não, obviamente não tendo nenhum filho, não consigo imaginar.

Me estiquei para escutar, esperando que a diminuição do volume significasse que meu pai estava se acalmando em vez de ficar cada vez mais nervoso.

Gideon endureceu repentinamente, sua mão se afastando de mim.

— Não, eu não ficaria feliz se minha irmã fugisse para se casar. Além disso, não seria nela que eu descontaria…

Pisquei. Meu marido e meu pai tinham isso em comum: ambos eram incrivelmente protetores para com todos que amavam.

— Estou disponível a qualquer momento, Victor. Eu até me encontraria aí com você, se é isso o que você precisa. Quando me casei com sua filha, aceitei total responsabilidade tanto por ela quanto por sua felicidade. Se tiver consequências a serem enfrentadas, não tenho nenhum problema em enfrentá-las.

Seu olhar obscureceu enquanto ele escutava.

Então Gideon se sentou à minha frente, colocou o telefone na mesa, e colocou no speaker.

A voz do meu pai encheu o ar.

— Eva?

Respirei profundamente e apertei a mão que Gideon estendeu na minha direção.

— Sim, estou aqui, pai.

— Querida… — Ele também respirou profundamente. — Não fique chateada, okay? Estou apenas… Preciso liberar isso. Não estava esperando por isso e… Preciso para e pensar. Podemos conversar hoje de noite? Quando eu trabalhar nisso e me acalmar?

— Sim, claro.

— Bom. — Ele pausou.

— Eu amo você, papai. — O som das minhas lágrimas transpareceu na minha voz e Gideon aproximou sua cadeira de mim, suas coxas encostando nas minhas. Era incrível quanta força eu pegava dele, que alívio era tê-lo para me apoiar. Era diferente de ter o apoio de Cary. Meu melhor amigo era uma tábua de salvação, me animava, e ainda chutava bunas. Gideon era um escudo.

E eu tinha que ser forte o suficiente para admitir quando eu precisava de um.

— Eu também te amo, querida. — Meu pai disse, com uma nota de dor e luto que me apunhalou o coração. — Ligo para você mais tarde.

— Okay. Eu— O quê mais eu poderia dizer? Eu era uma causa perdida para como arrumar as coisas. — Tchau.

Gideon encerrou a ligação, depois pegou minhas mãos trêmulas nas suas. Seus olhos estavam travados em mim, o gelo derretendo em ternura.

— Você não vai ficar com verganha, Eva. Está claro?

Assenti.

— Não estou.

Ele pegou meu rosto nas mãos, seus dedos limpando minhas lágrimas.

— Não aguento ver você chorar, anjo.

Afastei a dor no coração, jogando para um canto onde eu pudesse cuidar daquilo mais tarde.

— Por que você está aqui? Como você sabia?

— Eu vim agradecer pelas flores. — Ele murmurou

— Oh, você gostou delas? — Consegui dar um sorriso. — Queria fazer você pensar em mim.

— Todo o tempo. Cada minuto. — Ele pegou meu quadril e me puxou mais para perto.

— Você poderia apenas ter mandado uma nota.

— Ah. — O fantasma de seu sorriso fez meu puslo acelerar. — Mas não cobririra isso.

Gideon me puxou para seu colo e me beijou até eu ficar sem sentidos.

“Nós ainda vamos para casa hoje de noite?” Cary mandou a mensagem enquanto eu esperava pelo elevador para ir ao saguão ao meio-dia. Minha mãe já estava esperando por mim e eu estava tentando me refazer. Nós tínhamos um longo caminho a percorrer.Deus, eu esperava que ela pudesse me ajudar a lidar com tudo isso.“Esse é o plano“, eu respondi ao meu, muitas vezes irritante, companheiro de apartamento, digitando enquanto entrava no carro.“Embora eu tenho um compromisso depois do trabalho, e depois jantar com Gideon. Posso chegar tarde.”“Jantar? Você vai ter que me atualizar.”Eu sorrio. “Claro.”“Trey ligou.”Expiro rapidamente, como se estivesse segurando minha respiração. Acho que de uma maneira eu realmente estava.Eu não poderia culpar o namorado io-iô de Cary por ter dado um enorme passo para trás quando ele soube que a garota com quem Cary dormia esporadicamente estava grávida. Trey já estava lutando com a bissexualidade de Cary, e agora um bebê significava que sempre haveria uma terceira pessoa no relacionamento deles.Não havia sombra de dúvida que Cary deveria ter se comprometido com Trey mais cedo, em vez de deixar suas opções em aberto, mas eu entendia o medo por trás das ações de Cary. Eu conhecia muito bem os pensamentos que passavam por sua mente quando você sobrevive às coisas que Cary e eu tínhamos passado, e ainda assim, de alguma maneira, você se encontra de frente com uma pessoa incrível que ama você.Quando é bom demais para ser verdade, como isso pode ser real?Eu simpatizava com Trey, também, e se ele desistisse, eu respeitaria sua decisão. Mas ele era a melhor coisa que tinha acontecido com Cary em um bom tempo. Eu ficaria extremamente decepcionada se eles não se resolvessem. “O que ele disse?”“Vou contar quando encontrar você.”“Cary! Isso é cruel!”Ele demorou até que eu estivesse na porta de saída do saguão para responder. “Sim, conheço a sensação.”Meu coração doeu, porque não havia uma boa maneira de interpretar como boas notícias. Me afastando do caminho para deixar as outras pessoas passarem, respondi, “Eu te amo loucamente, Cary Taylor.”“Também te amo, garotinha.”— Eva!Minha mãe cruza o espaço entre nós em delicadas sandálias de salto alto, uma mulher impossível de não se notar até mesmo no concorrido horário de almoço, cheio de pessoas entrando e saindo do Crossfire. Tão delicada e pequena que era, Monica Stanton deveria ter se perdido no mar de ternos, mas ela chamava muita atenção para que isso acontecesse.Carisma. Sensualidade. Fragilidade. Era a combinação bombástica que fizera Marilyn Monroe uma estrela, e exemplificava minha mãe. Vestida com um macacão azul marinho sem mangas, Monica Stanton parecia mais jovem do que sua idade e mais confiante do que eu sabia que ela era. As panteras da Cartier abraçando seu pescoço e pulso diziam aos observadores que ela era cara.Ela veio diretamente para mim e me enlaçou em um abraço que me pegou de surpresa.— Mãe!— Você está bem? — Se afastando, ela estudou meu rosto.— O quê? Sim. Por que?— Seu pai ligou.— Oh. — Olhei cautelosamente para ela. — Ele não levou bem as notícias.— Não, não mesmo. — Enquanto ela juntava seu braço com o meu, fomos para fora. — Mas ele está lidando com isso. Ele ainda não estava preparado para deixar você ir.— Porque eu faço ele lembrar de você. — Para meu pai, minha mãe foi a mulher que escapou. Ele ainda a amava, mesmo depois de duas décadas separados.— Besteira, Eva. Há uma semelhança, mas você é muito mais interessante.Isso arranca uma risada de mim.— Gideon diz que eu sou interessante.Ela abriu um sorriso radiante, fazendo que o homem que passava por ela tropeçasse em seus próprios pés.— Claro. Ele conhece as mulheres. Mesmo sendo tão bela quanto você é, precisaria mais do que beleza para que ele se casasse com você.Diminuindo o passo para passar pelas portas, minha mãe vai primeiro. Um sopro de calor me atinge quando me junto à ela na calçada, fazendo minha pele transpirar levemente. Havia momentos que eu duvidava que algum dia eu iria me acostumar com a umidade, mas eu considerava isso como um dos custos de se viver na cidade que eu tanto amava. A primavera tinha sido linda e eu sabia que o outono também seria. O perfeito momento no ano para renovar meus votos com o homem que era dono do meu coração e alma.Eu estava agradecendo a Deus pelo ar-condicionado quando vi o primeiro no comando do time de segurança do Stanton esperando no carro preto parado no meio-fio.Benjamin Clancy me cumprimentou com um rápido e confiante aceno. Seu comportamento era tão objetivo e profissional como sempre, enquanto eu sentia tanta gratidão por ele que era difícil me segurar para não agarrá-lo e beijá-lo.Gideon tinha matado Nathan para me proteger. Clancy tinha feito de tudo e se assegurado para que Gideon não pagasse por aquilo.— Olá, você. — Disse para ele, vendo meu sorriso refletido nas lentes espelhadas de seus óculos aviadores.— Eva. É bom ver você.— Eu estava justamente pensando o mesmo de você.Ele não sorriu abertamente, não era seu jeito. Mas, no entanto, eu podia sentir.Minha mãe deslizou primeiro, e então eu me juntei à ela no banco traseiro. Antes mesmo de Clancy passasse por trás do carro, ela já estava se virando de frente para mim e segurando minha mão.— Não se preocupe com seu pai. Ele tem aquele rápido temperamento latino, mas nunca demora muito. Tudo o que ele realmente quer é ter certeza de que você é feliz.Eu aperto gentilmente seus dedos.— Eu sei. Mas eu realmente quero que papai e Gideon se deem bem.— Eles são dois homens cabeças-duras, querida. Eles vão, ocasionalmente, entrar em conflito.Ela não estava errada. Eu queria sonhar com os dois se dando bem da maneira que os caras faziam, falando de esportes ou carros, com toda a brincadeira enervada e tapinhas nas costas que sempre acompanhava esse tipo de coisa. Mas eu tinha que me ater à realidade, o que quer que fosse acontecer.— Você está certa. — Eu concedi. — Eles já são grandinhos. Eles vão se resolver. — Eu espero.— É claro que vão.Com um suspiro, eu observo o lado de fora pela janela.— Acho que encontrei uma solução para Corinne Giroux.Houve uma pausa.— Eva, você tem que colocar essa mulher para fora da sua cabeça. Dando a ela qualquer pensamento, você está dando poderes que ela não merece.— Nós permitimos que ela se tornasse um problema por sermos tão secretos. — Voltei meu olhar para minha mãe. — O mundo tem um tremendo apetite para tudo o que envolva Gideon. Ele é lindo, rico, sexy, e brilhante. As pessoas querem saber tudo sobre ele, mas ele guarda sua privacidade tão ao extremo que eles sabem quase nada. Isso dá à Corinne essa abertura para escrever sua biografia sobre seu tempo com Gideon.Ela me deu um olhar cauteloso.— O que você está pensando?Procurando em minha bolsa, tiro um pequeno tablet.— Nós precisamos mais disso.Giro a tela, mostrando a imagem de Gideon e eu que tinha sido tirada apenas horas antes enquanto estávamos parados na frente do Crossfire. A maneira com a qual ele me segurava pela nuca era tanto gentil quanto possessivo, enquanto a maneira como meu rosto estava inclinado para ele, revelava meu amor e adoração. A foto fez meu estômago dar uma volta ao ver um momento tão privado ser disseminado para o mundo ver, mas eu tinha que superar misso. Eu precisava dar mais para eles.— Gideon e eu precisamos para de nos esconder. — Eu expliquei. — Nós precisamos ser vistos. Passamos muito tempo fechados. O publico quer o playboy bilionário que finalmente está se transformando no Príncipe Encantado. Eles querem contos de fadas, mãe, e finais felizes. Eu preciso dar às pessoas a história que eles querem e fazendo isso, vou fazer Corinne e seu livro parecerem patéticos.Os ombros de minha mãe caíram.— Essa é uma ideia horrível.— Não, não é.— É terrível, Eva! Você não pode trocar a privacidade por nada. Se você alimentar o público, a fome deles só vai aumentar. Pelo amor de Deus, você não quer se tornar figurinha carimbada nos tabloides!— Não vou fazer isso dessa maneira.— Por que você arriscaria isso? — Sua voz aumentou e ficou estridente. — Por causa de Corinne Giroux? O livro dela será lançado e será esquecido em um piscar de olhos, mas você nunca se livrará da atenção a partir do momento que você chamá-la.— Eu não entendo você. Não tem como eu me casar com Gideon e não chamar atenção! Eu posso muito bem assumir o controle e montar o palco eu mesma.— Há uma diferença entre ser proeminente e ser uma manchete do TMZ!Rosnei interiormente.— Acho que você está fazendo muito drama.Ela balançou a cabeça.— Estou dizendo a você, essa é a maneira errada de lidar com a situação. Você discutiu isso com Gideon? Eu não consigo imaginar ele concordando com isso.Eu olho para ela, realmente assustada com sua resposta. Eu pensei que ela ia adorar a ideia, considerando a maneira como ela se sentia sobre se casar bem e o que isso implicava.Foi aí que eu vi o medo apertando sua boca e escurecendo seus olhos.— Mãe. — Suavizei minha voz, mentalmente me chutando por não ter percebido antes. — Não temos mais que nos preocupar com Nathan.Ela devolveu meu olhar.— Não. — Ela concordou, mas ainda não relaxou. — Mas com tudo o que você fez… tudo o que você disse ou decidiu dissecar para entreter o mundo, poderia ser meu pesadelo.— Não vou permitir que outras pessoas ditem como eu e meu casamento sejam percebidos. — Eu estava cansada de me sentir como uma… vítima. Eu queria ser aquela que estaria na ofensiva.— Eva, você não—— Ou me dá uma alternativa que não envolva ficar sentada e não fazer nada ou esqueça o assunto, mãe. — Virei a cabeça, afastando o olhar dela. — Não vamos concordar e não vou mudar de ideia sem ter um outra cartada na mesa.Ela fez um som de frustração, e então ficou em silêncio.Meus dedos flexionaram com a necessidade de mandar uma mensagem para Gideon e respirar. Uma vez ele me disse que eu iria ser excelente em gerenciar crises. Ele tinha sugerido que eu emprestasse meus talentos para as Indústrias Cross de maneira fixa.Por que não começar então com algo mais íntimo e importante?

Tradução dos trechos 1 até 5 são da Editora Paralela e o 6 e o 7 pertencem ao blog – Compulsivamente Literária que autorizou a postagem. Os trechos foram postados nas datas, 17 e Novembro de 2015, 26 e Novembro de 2015, 25 de Dezembro de 2015, 01 de janeiro de 2016, 14 de fevereiro de 2016, Postado em 11 de março de 2016 e 27 de março de 2016.

>Crossfire 5 | Todo Seu – 12 trechos de outros capítulo 

Pré-Venda do 5º livro de Crossfire – Todo Seu

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Comentários

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About Larissa Reeden

Larissa Monteiro (Reeden) - 23 anos Adoro ler, sou bem eclética com meus gostos literários, também gosto de séries de TV, principalmente as que abordam temas diferentes e filmes românticos (sue me). Mineira de nascimento, Paulistana de coração. Tenho gostos variados para tudo, gosto de viajar, escrever, curtir um parques em dia de sol, e de ir ao cinema, de ficar em casa, de ir pra um barzinho, ao café, tudo depende do clima e com quem. Não resisto a nada que envolva massa, molho e queijo e amo doces. Sou uma mistura de muitas personalidades.

43 comments on “Crossfire 5 | Capítulo Um de Todo Seu – COMPLETO

  1. Oi meninas alguém poderia me ajudar por favorzinho me mandar o 5′ livro pq eu não consegui ele ainda me ajuda ae meninas me manda por email.

  2. Pura decepção…Juro que espero todos os dias sair uma nota na internet dizendo que a tradução esta errada…Sylvia matou o romance mais perfeito com os dois ultimos livros!!!

    1. Infelizmente deixou a desejar mesmo Josmira, ainda aguardamos um 6 livro, esperança de fã é a última que morre né. Mas tem muito livro bom por ai, e acabo me contentando com isso. Obrigado por comentar.

  3. O quinto e ultimo livro me decepcionou profundamente, segredos nao contados…. enfim, tomara q a autora mude a ideia de parar essa saga no quinto livro.

    1. Infelizmente muitas pessoas ficaram decepcionadas mesmo. Faltou o Q a mais no fim :/
      Mas me consolo seguindo em frente com outras leituras. Obrigado por comentar Nathalia.

  4. Como não aguento espera e tradução… estou correndo p livraria comprar!!! Super ansiosa pq amo essa série.. simplesmente perfeita!!!!

  5. Li o último livro. Como leitora apaixonada posso dizer que me decepcionei um pouco. O final deixou a desejar, na minha opinião.
    Esperava mais de um livro cuja história fora redigida em cinco partes… Cuja história teve um começo e meio totalmente ligados…
    O final ficou solto. Não quero soltar spoilers…. Mas a trama ficou sem nexo tentando mostrar uma hitória paralela sem nenhum interesse para o leitor (eu).
    E a falta de emoção de Eva diante de um assunto tão im,portante, também deixou a desejar.
    A série, como um todo, foi boa. Faltou um desfecho à altura.

    1. Oi Paula, entendo totalmente seu ponto de vista, ficou mesmo faltando coisas, porque no finzinho a Sylvia abre vários pontos né. ;/
      Mas obrigado por comentar e desculpa a demora para responder.

  6. Acabei de ler “todo Seu”. Amo a série Crossfire e sentirei medita falta de Gideon e Eva. Costeira do último livro mais imaginei um final diferente e acho que caberia ainda mais um livro.

    1. Amei a trama em um todo, queria que que o ultimo fosse mais forte acho que deveríamos te a 6 edição com mais exta-se achei a eva tao distante da mãe em sua morte e a tia que aparece assim do nada gente como assim ficar sem saber como vai ser a vida deles ao voltar da lua de mel não aguento o coração fiquei muito triste com o final deve ser mais interessante os 4 primeiros livros forrao tao intensos que queria mais

  7. Nossa eu li os quatro livros em uma semana… Quando comecei não quis mais parar…
    Quando vi que o ultimo só no dia 5 de abril minha nosssssaaaaaa falta muito ainda… snif snif…
    Muito bom adorei mesmo estou mais que ansiosa para ter o ultimo em mãos que claro ja esta encomendado na pré-venda…. Contagem regressiva em 13 dias

    1. Oi Diana, creio que nesse momento você já tenha lido o 5º livro. Desculpa a demora por responder e bem vinda aos shippadores de GIDEVA <3

  8. Esse é o último livro, estou ansiosa e triste…, é o último livro da série!. Estou curiosa também pra ver o desenrolar da trama que Silvia Day colocou em 256 páginas. Foi só eu que achou poucas páginas?

  9. Oi meninas eu amo também a série crossfire…. simplesmente apaixonada !!
    Gostaria de saber se alguém sabe me dizer se ainda ha possibilidade da série ir para telinha, andei pesquisando e vi que a autora assinou com a Lionsgate para uma supósta série de tv.
    Será que vamos ter o imenso prazer de assistir a essa história?
    Bjus ….Amei o site PARABÉNS…
    Gostaria de indicações para leitura da Silvya Day..
    Obrigado!!

    1. Oi Carla, mil desculpas pela demora para responder, ainda há possibilidades da série acontecer sim, mas está a passo de lesma viu.
      Fico muito feliz que gostou do site e seja sempre bem vinda. Bjos

  10. vi em lugares diferentes pedaços diferentes traduzidos,há sites dizendo sobre a tradução do vol, 5 do Crossfire, denominando-os de “Trechos de 1 a 4”. Esses acima( Primeira parte do primeiro capitulo e segunda parte do primeiro capítulo), refere-se a quais trechos citados anteriormente?Grata.

    1. Olá Mirian os “diversos sites” para começo de conversa copiaram os trechos de nós ou alguns do blog Leitora Compulsiva.
      Esses trechos que agora são 5 e não 4 são trechos aleatórios do livro postados pela Sylvia, já esses 2 trechos são partes do capítulo 1 que a Sylvia Day
      começou a postar desde o dia 17 de novembro de 2015 e portanto são diferentes.

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